A procura global por energia para alimentar data centers está a crescer a um ritmo sem precedentes — e poderá aumentar quase 300% até 2035, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, computação em nuvem e aplicações de alto desempenho.
A previsão surge num relatório recente analisado por vários meios internacionais, que aponta que só nos Estados Unidos a demanda poderá alcançar 106 gigawatts (GW) até 2035, comparado com cerca de 40 GW atuais, indicando um crescimento de quase três vezes.
Especialistas alertam que este cenário poderá pressionar redes elétricas, obrigando a investimentos massivos em infraestruturas energéticas e a aceleração da transição para fontes renováveis — sobretudo porque os novos centros de dados são cada vez maiores, consumindo frequentemente 100 a 500 megawatts (MW) por instalação.
IA e cloud como motores da explosão energética
O crescimento da IA generativa é hoje o principal factor de aumento da procura. Modelos cada vez maiores exigem processamentos contínuos, acelerando a construção de novos data centers e elevando significativamente as necessidades de eletricidade.
A IEA (International Energy Agency) já havia previsto que o consumo elétrico global dos data centers poderá duplicar até 2030, tendência que se alinha com os novos cenários para 2035.
Impacto para África e Angola
A pressão sobre redes elétricas globais abre uma janela de oportunidades para regiões com potencial energético e espaço para construção de novas infraestruturas — como é o caso de vários países africanos.
Para Angola, que está a investir em data centers, redes de energia e modernização digital, estas projeções reforçam a necessidade de políticas energéticas robustas, diversificação de fontes e incentivos à eficiência.
Eficiência e energia limpa serão determinantes
Apesar do crescimento acelerado, especialistas defendem que é possível mitigar o impacto através de:
- soluções de refrigeração avançada,
- fontes renováveis dedicadas,
- arquitetura de hardware mais eficiente,
- e uso de hidrogénio, amónia verde e baterias de nova geração.
A pressão da IA no setor energético é hoje vista como um dos maiores desafios — e oportunidades — da década.


















