A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) assinaram, esta quinta-feira, 11 de Junho de 2026, em Luanda, um acordo para a criação de um projecto-piloto de apoio à actividade exploratória nas Bacias Interiores através de sensoriamento remoto.
O acordo foi formalizado durante um painel dedicado ao GGPEN no Fórum Internacional ANGOTIC, e visa o desenvolvimento de uma ferramenta baseada na detecção de macroexsudações (oil seeps) e microexsudações de hidrocarbonetos, recorrendo à análise da resposta espectral do solo e da vegetação através de dados de satélite.
A iniciativa pretende reforçar a capacidade de identificação de potencial petrolífero em áreas de difícil acesso, reduzindo custos e aumentando a eficiência dos trabalhos de exploração.
Durante a cerimónia, a ANPG apresentou duas comunicações técnicas, destacando os resultados do Programa Espacial Nacional na transformação digital do sector petrolífero e o papel dos dados de satélite na fiscalização ambiental e monitorização da actividade de hidrocarbonetos.
Segundo o gerente de bloco da ANPG, Guilherme Ventura, a utilização de dados espaciais tem permitido melhorar a detecção de ocorrências como derrames, incluindo em ambiente marítimo, reduzindo o tempo de resposta.
“Anteriormente nós dependíamos essencialmente das informações dos operadores para aferir casos como derrame em alto mar. Com o GGPEN passamos a adquirir dados mais abrangentes e de fonte independente que nos permitem fazer a verificação do que realmente se passa e acelerar a resolução de eventuais situações”, afirmou.
Por sua vez, o director de exploração da ANPG, Lúmen Sebastião, destacou o impacto da nova ferramenta na redução da complexidade e dos custos associados à exploração nas Bacias Interiores, sublinhando o desafio de mapear grandes áreas em ambientes de difícil acesso.
“Temos o desafio de fazer o mapeamento de 540 Km² a 1000 Km² de área, maioritariamente em ambiente inóspito e de difícil acesso. Esta ferramenta permitirá optimizar os estudos de prospectividade, apoiando a delimitação de áreas prioritárias para exploração”, referiu.
O projecto-piloto será inicialmente utilizado para desenvolvimento, calibração e validação da metodologia antes de uma eventual aplicação em larga escala.
As duas instituições indicaram ainda a intenção de expandir a cooperação para o sector dos biocombustíveis, com foco na identificação de áreas de biomassa em território nacional.
O acordo reforça a integração entre o sector espacial e a indústria petrolífera em Angola, num contexto de aposta crescente em inovação, dados e tecnologias de observação da Terra aplicadas à exploração de recursos naturais.
















