A ExxonMobil está a preparar um novo ciclo de desenvolvimento no Bloco 15, em Angola, depois de o Governo ter prolongado a vida útil do activo até 2037 e de o grupo empreiteiro assumir um compromisso de investimento de cerca de 3 mil milhões de dólares para sustentar a produção e recuperar recursos adicionais.
O investimento foi formalizado em Novembro de 2025, no âmbito da extensão da vida útil do Bloco 15. O acordo estabeleceu as bases para prolongar as operações do activo e abrir caminho a novos projectos de desenvolvimento, num momento em que Angola procura travar o declínio natural da produção dos seus campos maduros.
A ExxonMobil opera o Bloco 15 em parceria com a Azule Energy, a Equinor e a Sonangol. Ao longo de mais de três décadas de actividade, o bloco tornou-se um dos principais activos do offshore angolano, tendo produzido mais de 2,7 mil milhões de barris de petróleo e recebido mais de 47 mil milhões de dólares em investimentos.
A primeira decisão final de investimento associada à extensão da vida útil já foi tomada. Em Novembro de 2025, a ANPG confirmou a DFI para prolongar as instalações de Mondo e Saxi-Batuque até 2032, no âmbito do projecto Kizomba C. O projecto entrou então na fase de execução, incluindo planeamento detalhado, contratação de serviços e mobilização de meios.
A próxima etapa está concentrada nos projectos Kizomba A e B, cuja extensão da vida útil deverá permitir manter operações no Bloco 15 até 2037. A ANPG indicou que estes projectos representam mais de 3 mil milhões de dólares em investimento previsto, incluindo cerca de 1,4 mil milhões de dólares destinados ao Kizomba A.
É neste contexto que os 3 mil milhões de dólares associados à extensão do Bloco 15 devem ser interpretados. Não se trata de um único cheque destinado a um novo campo, mas de um programa de investimento ligado à extensão da vida produtiva das instalações e ao desenvolvimento de recursos remanescentes do bloco.
A estratégia ganha nova relevância perante a actual pressão do Governo para aumentar a produção nacional. No final de Agosto, durante as celebrações dos 32 anos do início das operações do Bloco 15, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, apelou aos operadores para aumentarem o investimento e ajudarem Angola a ultrapassar a fasquia de um milhão de barris por dia.
O ministro destacou também o desempenho da ExxonMobil e o nível de angolanização alcançado no Bloco 15, que já ronda 95%, mas defendeu uma participação maior de empresas angolanas na prestação de serviços à indústria petrolífera.
A pressão ocorre numa altura em que a ExxonMobil procura prolongar a contribuição dos seus activos de águas profundas em Angola. A companhia mantém interesses nos blocos produtores 15, 17 e 32, que, em conjunto, representam cerca de 3 milhões de acres e um potencial bruto de recursos recuperáveis de aproximadamente 9 mil milhões de barris de óleo equivalente.
O Bloco 15 entra assim numa nova fase da sua história. Depois de décadas de produção e de grandes projectos de desenvolvimento, a prioridade passa pela extensão da vida útil das infra-estruturas, recuperação de volumes adicionais e utilização mais eficiente dos activos existentes.
Para Angola, o desafio é transformar esses investimentos em produção sustentada. Para a ExxonMobil e os parceiros do Bloco 15, trata-se de prolongar o valor de um dos activos históricos do offshore angolano.
Com a licença estendida até 2037 e novas decisões de investimento previstas para os projectos Kizomba, o Bloco 15 continuará a ser uma peça importante da estratégia angolana para manter e aumentar a produção petrolífera durante a próxima década.















