Angola desembolsou cerca de 854 milhões de dólares americanos para a importação de combustíveis líquidos no quarto trimestre de 2025, confirmou o Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), apresentado nesta quinta-feira pelos responsáveis do sector.
Segundo o director-geral do IRDP, Luís Fernandes, o valor refere-se à importação de aproximadamente 1 129 436 toneladas métricas de derivados de petróleo entre outubro e dezembro de 2025, um aumento de cerca de 145 milhões de dólares relativamente ao trimestre anterior.
Durante o período em análise, o país adquiriu 1 347 543 toneladas métricas de combustíveis para comercialização — incluindo gasóleo, gasolina, fuel ordoil, MGO, jet A-1, asfalto, petróleo iluminante e gasolina de aviação — com 84 % dessa quantidade proveniente de importações e o restante de produção interna (Refinaria de Luanda e Cabinda).
Principais destaques do balanço:
- As importações de derivados asseguraram a grande maioria do abastecimento nacional no trimestre, refletindo a dependência externa do país em combustíveis refinados.
- No conjunto do ano de 2025, Angola adquiriu 4 722 383 toneladas métricas de combustíveis, com as importações representando 73 % do consumo total de derivados e um gasto acumulado de cerca de USD 2,6 mil milhões.
- A capacidade de armazenamento de combustíveis no território nacional também registou expansão decorrente da operacionalização de novos terminais logísticos.
O relatório trimestral do IRDP reafirma o desafio estrutural do sector energético angolano: a produção interna de derivados ainda não atende à totalidade da procura doméstica, mantendo o país altamente dependente das importações de produtos petrolíferos.
Contexto para o sector
A dependência de importações de derivados evidencia a necessidade de fortalecer a capacidade de refinação e a cadeia logística interna, temas estratégicos para a política energética de Angola e relevantes para reduzir a pressão sobre as reservas cambiais do país.


















