A Galp está interessada em voltar a investir na exploração e produção de petróleo em Angola, dois anos depois de ter saído do país após várias décadas de presença no sector. A revelação foi feita pelo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, esta quarta-feira, durante a conferência Doing Business Angola, promovida pela Forbes África Lusófona e pelo Jornal Económico, no Epic Sana Lisboa.
“Ainda recentemente tivemos a visita de uma delegação da Galp que, depois de ter saído, voltou e quer investir connosco nas áreas de exploração e produção”, declarou o gestor, numa entrevista ao vivo conduzida por Nilza Rodrigues, directora da Forbes Portugal e Forbes África Lusófona.
A petrolífera portuguesa vendeu os seus activos de produção em Angola em 2024 à Etu Energias, por 830 milhões de dólares, encerrando uma ligação ao sector que se estendia por décadas. Desde então, a Galp mantém apenas presença no país através da Sonangalp, o consórcio de distribuição de combustíveis que partilha com a Sonangol.
Segundo Gaspar Martins, o interesse renovado da Galp insere-se num quadro mais amplo de confiança no mercado angolano.
“Angola continua a ser um bom local para se poder investir”, afirmou, referindo que existem “oportunidades de investimento ao nível de todo o portfólio” da Sonangol, incluindo as suas 41 concessões petrolíferas. O gestor sublinhou ainda a estabilidade contratual do país e o facto de a Sonangol estar “envolvida com todos os principais investidores estrangeiros”, tendo estendido o convite a outras empresas portuguesas interessadas em activos angolanos.
Sobre a Galp em particular, o presidente da Sonangol descreveu-a como uma “empresa irmã”, por partilhar presença tanto na exploração e produção como nas energias renováveis, reconhecendo que a parceria atravessou “momentos bons e maus” ao longo dos anos, mas mantém-se estratégica para ambas as partes.
A ligação entre as duas empresas estende-se também à banca. Gaspar Martins confirmou que a Sonangol detém uma participação indirecta de 17% na Galp e de quase 20% no Millennium BCP, através da presença angolana em Portugal. Sobre o investimento no BCP, recordou que a Sonangol resistiu a um período de desvalorização das acções sem se desfazer da posição, o que lhe permitiu beneficiar da valorização posterior acima de um euro por acção.
“Não vamos sair desta oportunidade com o BCP”, garantiu.
A conferência serviu ainda para revelar outro projecto conjunto com capital português. A Sonangol e a Mota-Engil pretendem reactivar um estaleiro naval no Kwanza Sul, vocacionado para a construção e manutenção de componentes navais destinados à indústria petrolífera. A Sonangol dispõe actualmente de dez navios Suez Max, dois dos quais estão a ser renovados na Coreia do Sul, trabalho que a empresa pretende passar a realizar em Angola, em parceria com a Mota-Engil.
O regresso do interesse de investidores internacionais e o desenvolvimento dos blocos licitados nos últimos anos deverão gerar mais de 70 mil milhões de dólares em investimentos no país, segundo dados avançados durante a conferência, reforçando a confiança de que Angola continua a ser um dos mercados energéticos mais relevantes de África.



















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You well cam En Angola