Unidade da indiana Diarough vai criar 130 postos de trabalho e processar diamantes em Angola, numa estratégia para aumentar o valor capturado no país antes da exportação.
Angola vai reforçar a sua capacidade de beneficiação de diamantes com a entrada em funcionamento de uma nova unidade de lapidação da empresa indiana Diarough, instalada no Polo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo, na província da Lunda Sul.
A unidade, cuja inauguração está prevista para 15 de Agosto de 2026, deverá criar 130 postos de trabalho, dos quais 100 destinados a trabalhadores angolanos e 30 a expatriados. Segundo o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, o projecto inclui igualmente a capacitação da mão-de-obra nacional e a transferência de conhecimento técnico especializado.
Mas o impacto do projecto vai além do emprego.
Angola quer deixar de exportar apenas diamantes em bruto
A nova lapidadora terá capacidade máxima de processar 4.000 quilates em dois anos, permitindo que parte dos diamantes seja transformada dentro de Angola antes de chegar ao mercado internacional.
É precisamente esta mudança na cadeia de valor que torna o projecto relevante para a economia angolana.
Durante décadas, a actividade diamantífera esteve concentrada sobretudo na extracção e comercialização de diamantes em bruto. A aposta em unidades de corte e lapidação procura deslocar uma parte maior do valor económico para dentro do país, criando actividade industrial, empregos especializados e competências técnicas.
O próprio MIREMPET enquadra a instalação da Diarough como parte da estratégia de agregar valor à produção nacional e reduzir a exportação de diamantes em bruto.
Saurimo ganha peso na cadeia diamantífera
A instalação da Diarough no Polo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo reforça a posição do município como um dos centros da estratégia angolana de transformação local de diamantes.
O polo foi concebido para concentrar infraestruturas e atrair investidores para actividades de corte, lapidação e comercialização, contribuindo para a criação de uma cadeia de valor mais integrada em Angola.
A tendência já vinha ganhando força. Em 2025, a empresa indiana Hari Krishna Exports também manifestou interesse em instalar duas fábricas de lapidação no polo de Saurimo, demonstrando o crescente interesse internacional pela transformação de diamantes em Angola.
Mais do que diamantes: industrialização
O desafio para Angola não está apenas em produzir mais diamantes, mas em capturar uma parcela maior do valor gerado por cada pedra.
A expansão da capacidade de lapidação representa, nesse sentido, uma tentativa de transformar um recurso mineral exportável numa actividade industrial capaz de gerar emprego qualificado, conhecimento e maior valor acrescentado dentro do país.
A nova unidade da Diarough torna-se, assim, mais um passo na tentativa de transformar Saurimo num hub de beneficiação diamantífera e de reposicionar Angola na cadeia global de valor dos diamantes.


















