A companhia energética francesa TotalEnergies e o Governo de Moçambique anunciaram, em 29 de janeiro de 2026, o reinício completo das operações do projeto Mozambique LNG, tanto onshore (em terra) quanto offshore (no mar), no complexo de Afungi, na província de Cabo Delgado. Esta decisão marca um marco significativo na retomada de um dos maiores investimentos energéticos no continente africano após quase cinco anos de paralisação devido à insegurança regional.
O reinício das atividades ocorre após a decisão do consórcio Mozambique LNG, em 7 de novembro de 2025, de levantar a força maior (force majeure) que estava em vigor desde 2021, permitindo a continuação das obras no local.
A construção foi retomada no sítio de Afungi com mais de 4.000 trabalhadores mobilizados, dos quais mais de 3.000 são moçambicanos. O projeto está atualmente cerca de 40% concluído, pois a maior parte da engenharia e aquisição de equipamentos principais foram executadas durante o período de suspensão. A previsão é que o primeiro GNL (gás natural liquefeito) seja produzido em 2029.
Impacto econômico e social
Espera-se que o projeto gere até 7.000 empregos diretos para trabalhadores moçambicanos durante a fase de construção. Contratos com empresas locais podem ultrapassar USD 4 bilhões, reforçando o conteúdo local e fomentando a economia nacional.
A iniciativa também inclui um programa de desenvolvimento socioeconômico por meio da Mozambique LNG Foundation, com um orçamento de USD 200 milhões, que já apoiou milhares de agricultores e pescadores na província de Cabo Delgado e contribuiu para a criação de mais de 8.000 empregos diretos e indiretos.
Compromisso e posicionamento estratégico
O Chairman e CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, destacou que o reinício completo das atividades representa um marco importante não apenas para o projeto, mas também para Moçambique, posicionando o país como um exportador relevante de GNL e fortalecendo sua inserção no mercado global de energia.
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou que a retomada reforça a confiança de investidores internacionais no potencial energético, institucional e humano do país, com impactos diretos na criação de emprego e no desenvolvimento econômico.
O projeto Mozambique LNG, avaliado em cerca de USD 20 bilhões, é considerado um dos maiores investimentos privados em infraestrutura energética na África e tem potencial para transformar significativamente a economia de Moçambique nos próximos anos.


















