O diretor interino da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA), Madhu Gottumukkala, está sob investigação após carregar documentos sensíveis do governo norte-americano na versão pública do ChatGPT, gerando alertas internos de segurança e levantando preocupações sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial em ambientes governamentais. De acordo com relatos da imprensa internacional, Gottumukkala recebeu uma autorização temporária especial para utilizar a plataforma — que muitas vezes está bloqueada para a maioria dos funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS) — antes de enviar os documentos marcados como “For Official Use Only” (apenas para uso oficial). Essa designação indica que, embora não fossem informações formalmente classificadas como “secretas”, tratava-se de materiais sensíveis e não destinados ao domínio público. As publicações ocorreram no verão de 2025 e, ao serem inseridas no ChatGPT, acionaram vários alertas automáticos de segurança no sistema da agência, que detectou potenciais riscos de exposição de dados internos através de modelos de IA pública. Essas ferramentas podem compartilhar inputs com desenvolvedores e, potencialmente, com terceiros, motivo pelo qual são consideradas inadequadas para tratamento de dados sensíveis sem controles robustos. Após a detecção, o Departamento de Segurança Interna iniciou uma revisão interna para avaliar os possíveis impactos na segurança dos Estados Unidos, envolvendo altos membros do DHS e do próprio CISA. Até o momento, as conclusões dessa investigação não foram tornadas públicas. Autoridades da agência afirmaram que o uso de ChatGPT por Gottumukkala foi “de curto prazo e limitado”, sob controlo, e que a política continua a bloquear o acesso ao serviço em ambientes oficiais a menos que uma exceção seja autorizada. Especialistas em segurança, no entanto, consideram o episódio uma falha significativa dada a missão da CISA de proteger redes federais contra ataques sofisticados e vazamentos de dados. O incidente reacende o debate sobre a utilização de assistentes de IA fora de ambientes controlados em instituições que lidam com informações sensíveis e destaca a necessidade de políticas claras sobre ferramentas emergentes em cibersegurança governamental.
TotalEnergies anuncia reinício total do projecto Mozambique LNG, avaliado em USD 20 bilhões, em Moçambique
A companhia energética francesa TotalEnergies e o Governo de Moçambique anunciaram, em 29 de janeiro de 2026, o reinício completo das operações do projeto Mozambique LNG, tanto onshore (em terra) quanto offshore (no mar), no complexo de Afungi, na província de Cabo Delgado. Esta decisão marca um marco significativo na retomada de um dos maiores investimentos energéticos no continente africano após quase cinco anos de paralisação devido à insegurança regional. O reinício das atividades ocorre após a decisão do consórcio Mozambique LNG, em 7 de novembro de 2025, de levantar a força maior (force majeure) que estava em vigor desde 2021, permitindo a continuação das obras no local. A construção foi retomada no sítio de Afungi com mais de 4.000 trabalhadores mobilizados, dos quais mais de 3.000 são moçambicanos. O projeto está atualmente cerca de 40% concluído, pois a maior parte da engenharia e aquisição de equipamentos principais foram executadas durante o período de suspensão. A previsão é que o primeiro GNL (gás natural liquefeito) seja produzido em 2029. Impacto econômico e social Espera-se que o projeto gere até 7.000 empregos diretos para trabalhadores moçambicanos durante a fase de construção. Contratos com empresas locais podem ultrapassar USD 4 bilhões, reforçando o conteúdo local e fomentando a economia nacional. A iniciativa também inclui um programa de desenvolvimento socioeconômico por meio da Mozambique LNG Foundation, com um orçamento de USD 200 milhões, que já apoiou milhares de agricultores e pescadores na província de Cabo Delgado e contribuiu para a criação de mais de 8.000 empregos diretos e indiretos. Compromisso e posicionamento estratégico O Chairman e CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, destacou que o reinício completo das atividades representa um marco importante não apenas para o projeto, mas também para Moçambique, posicionando o país como um exportador relevante de GNL e fortalecendo sua inserção no mercado global de energia. O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou que a retomada reforça a confiança de investidores internacionais no potencial energético, institucional e humano do país, com impactos diretos na criação de emprego e no desenvolvimento econômico. O projeto Mozambique LNG, avaliado em cerca de USD 20 bilhões, é considerado um dos maiores investimentos privados em infraestrutura energética na África e tem potencial para transformar significativamente a economia de Moçambique nos próximos anos.



