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Etu Energias vence Energean e compra participação da Chevron nos blocos 14 e 14K

Imagens: Etu Energias

A petrolífera angolana assina acordo de 260 milhões de dólares para adquirir 31% do Bloco 14 e 15,5% do Bloco 14K, encerrando a disputa iniciada após a Chevron ter acordado vender os activos à Energean.

A Etu Energias venceu o braço de ferro com a Energean e avançou directamente para a aquisição das participações que a Chevron detém nos Blocos 14 e 14K, no offshore de Cabinda.

A empresa angolana assinou, a 28 de Agosto, em Luanda, um Contrato de Compra e Venda com a Cabinda Gulf Oil Company Limited, subsidiária da Chevron em Angola, para adquirir 31% de participação no Bloco 14 e 15,5% no Bloco 14K. O acordo foi assinado pelo presidente do conselho de administração da Etu Energias, Edson dos Santos, e pelo director de operações da Chevron para a África Austral, Ezequiel Massaglia.

A operação tem uma consideração base de 260 milhões de dólares em numerário, com data económica efectiva a 1 de Janeiro de 2026. O acordo prevê ainda pagamentos contingentes de até 25 milhões de dólares por ano, até um limite acumulado de 250 milhões de dólares até 2038, associados ao potencial desenvolvimento futuro do campo PKBB e condicionados pela evolução do preço do petróleo e da produção.

A conclusão da transacção está prevista para o início de 2027 e permanece sujeita ao cumprimento das condições habituais, incluindo a aprovação da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

Um desfecho que o Mundo Infra acompanha desde Junho

A operação encerra um processo iniciado em Março, quando a Chevron anunciou a venda das mesmas participações à Energean por 260 milhões de dólares.

Na altura, a companhia grega pretendia adquirir 31% do Bloco 14, na qualidade de participação operadora, e 15,5% do Bloco 14K. A operação representaria a entrada da Energean no mercado angolano. O Mundo Infra acompanhou o anúncio desde Março.

Em Junho, porém, o cenário começou a mudar.

Enquanto parceira já existente nos dois activos, a Etu Energias notificou a intenção de exercer o seu direito de preferência sobre a transacção. O mecanismo permitia à empresa angolana igualar as condições negociadas entre a Chevron e a Energean e adquirir as participações nas mesmas bases.

O Mundo Infra noticiou então que a Etu poderia reconfigurar o negócio e, posteriormente, que estaria a avaliar a associação de um parceiro com experiência em operações de águas profundas para viabilizar a aquisição.

Agora, a disputa chega ao seu desfecho: em vez de a participação da Chevron passar para uma nova operadora internacional, a aquisição será realizada pela Etu Energias, que já estava presente nos dois activos.

A estrutura financeira responde ao desafio técnico

Um dos principais pontos que permaneciam em aberto após o exercício do direito de preferência estava relacionado com a experiência necessária para operações em águas profundas.

A nova estrutura anunciada pela Etu inclui um acordo de apoio com a BW Energy e a Chariot Limited. O financiamento da aquisição será assegurado através de uma linha de crédito disponibilizada pela Shell Western Supply and Trading Ltd.

A combinação entre capital financeiro e capacidade técnica internacional permite à Etu avançar sobre um activo de elevada complexidade operacional sem depender exclusivamente de recursos próprios.

É também um sinal da crescente capacidade das empresas angolanas de estruturarem transacções de upstream em parceria com grupos internacionais, mantendo uma posição central no activo adquirido.

O que muda no Bloco 14

Actualmente, a Chevron detém 31% do Bloco 14 e é a operadora. A Etu Energias possui 29%, enquanto Azule Energy e Sonangol E&P detêm 20% cada.

Com a conclusão da aquisição, a Etu passará a deter 60% do Bloco 14, tornando-se a maior accionista do activo. A Azule Energy e a Sonangol E&P manterão 20% cada.

A mudança, contudo, só produzirá efeitos após a conclusão da transacção e o cumprimento das condições previstas no acordo.

No Bloco 14K, a Etu passará de 14,5% para 30%. A Trident Energy continuará como operadora, com 15,75%, enquanto a Total E&P Congo terá 26,75%. Azule Energy e Sonangol E&P manterão 10% cada e a SNPC 7,5%.

O resultado será uma concentração significativa da exposição da Etu a dois activos históricos do offshore angolano.

Um dos activos históricos de Cabinda

O Bloco 14 é uma licença de águas profundas localizada ao largo de Cabinda, com profundidades de água entre 200 e 1.600 metros.

Em produção desde 1999, o activo já ultrapassou os 900 milhões de barris de crude produzido e atingiu um pico de aproximadamente 200 mil barris de petróleo por dia.

A produção actual é suportada por nove campos e pelas instalações centrais de Benguela, Belize, Lobito, Tomboco e Tômbua-Lândana, com programas activos de injecção de água e intervenção em poços.

O Bloco 14K, por sua vez, contém o campo de Lianzi, um projecto de desenvolvimento transfronteiriço entre Angola e a República do Congo ligado à infraestrutura do Bloco 14.

A relevância destes activos não está apenas no petróleo já produzido. A existência de infraestruturas instaladas e de campos em produção cria condições para novas intervenções e para a optimização de activos maduros.

A consolidação da Etu Energias

A aquisição da participação da Chevron representa mais um passo na estratégia de expansão da Etu Energias no upstream angolano.

A empresa já tinha reforçado a sua presença nos Blocos 14 e 14K através da aquisição das participações da Azule Energy, num negócio anunciado em Março pelo valor de 310 milhões de dólares. A operação envolvia 20% do Bloco 14 e 10% do Bloco 14K.

A sequência de transacções coloca a Etu no centro da transformação da estrutura accionista destes activos.

O movimento também acompanha uma tendência mais ampla no sector angolano: grandes companhias internacionais têm vindo a optimizar os seus portefólios e a alienar participações em activos maduros, enquanto empresas independentes procuram aumentar a sua exposição a produção existente e a infraestruturas já desenvolvidas.

No caso da Chevron, a alienação das participações nos Blocos 14 e 14K enquadra-se numa estratégia mais ampla de optimização do portefólio, embora não represente uma saída da companhia de Angola. A empresa mantém uma presença relevante no país através de outros activos.

O próximo capítulo

A conclusão da operação ainda está no futuro.

Até ao início de 2027, a Etu Energias terá de concluir o processo regulatório e cumprir as restantes condições previstas no acordo. Só depois será efectivada a transferência das participações adquiridas à Chevron.

Mas a direcção estratégica já está definida.

A Etu Energias, que em Junho ainda procurava transformar o seu direito de preferência numa aquisição efectiva, conseguiu agora substituir a Energean no negócio e assumir a posição compradora sobre uma das participações mais relevantes disponíveis no offshore angolano.

Se a transacção for concluída conforme previsto, a empresa passará a controlar 60% do Bloco 14 e 30% do Bloco 14K.

O que começou como uma venda da Chevron a uma companhia europeia termina, assim, com uma empresa angolana a reforçar significativamente a sua posição nos activos.

Para a Etu Energias, é uma aquisição.

Para o sector petrolífero angolano, é mais um sinal de que a próxima fase do offshore poderá ser marcada por uma presença crescente de empresas nacionais na propriedade e gestão de activos maduros e estratégicos.

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