A British Petroleum (bp) anunciou esta terça-feira, 30 de junho, que a sua vice-CEO Carol Howle vai aposentar-se, menos de três meses depois de ter sido promovida ao cargo. A saída de Howle é o mais recente capítulo de uma reestruturação de liderança que já levou à troca de CEO e à destituição do presidente do conselho em apenas seis meses.
Segundo comunicado oficial da bp, Howle, que liderava também a área de supply, trading & shipping (ST&S), deixará a empresa no terceiro trimestre do ano, depois de uma carreira de 26 anos na petrolífera britânica. A CEO Meg O’Neill anunciou que não vai substituir a função de vice-CEO, optando antes por “simplificar o modelo organizacional”.
Uma cadeira que durou poucos meses
Howle assumiu o cargo de vice-CEO a 2 de abril de 2026, depois de ter servido como CEO interina desde dezembro de 2025, na sequência da saída de Murray Auchincloss. A chegada de O’Neill, ex-CEO da Woodside Energy, à liderança da bp marcou o fim do mandato interino de Howle, que manteve então a vice-presidência executiva.
Mas o cargo de número dois não sobreviveu ao reposicionamento estratégico da nova CEO. Sam Skerry, até agora à frente das fusões e aquisições da bp desde 2022, assume a partir de agosto a liderança da unidade de supply, trading e shipping — um dos motores de lucro mais relevantes da petrolífera, que recentemente beneficiou da volatilidade nos mercados de petróleo ligada à guerra com o Irão.
A bp confirmou ainda a saída de Kerry Dryburgh, vice-presidente executiva de pessoas, cultura e comunicação há 16 anos na empresa, que será substituída por Sonya Adams, atual chefe de gabinete da CEO.
Não é um caso isolado
A saída de Howle soma-se a uma sequência de mudanças que reconfiguraram por completo a cúpula da bp em meio ano: a nomeação de Meg O’Neill como CEO em abril, após a saída de Auchincloss em dezembro, e a destituição do presidente do conselho, Albert Manifold, em maio, por questões de governação e conduta que este contesta.
A Reuters nota que praticamente todos os líderes associados à anterior aposta da bp nas energias renováveis já deixaram a empresa, com exceção de Gordon Birrell, à frente do negócio upstream — um sinal do quanto a reorientação estratégica da petrolífera para o petróleo e gás, anunciada no ano passado após o fracasso da incursão nas renováveis, se traduziu também numa limpeza de quadros.


















