A Multilateral Investment Guarantee Agency (MIGA), agência do Grupo Banco Mundial, emitiu garantias no valor de US$ 62,6 milhões para cobrir os investimentos de capital da Mota-Engil na Lobito Atlantic Railway (LAR), concessionária responsável pela operação do Corredor do Lobito em Angola. O anúncio foi feito pela MIGA a 10 de Setembro de 2026 e está ligado ao processo de modernização, operação e manutenção da infraestrutura ferroviária que liga o Porto do Lobito, no litoral angolano, à fronteira com a República Democrática do Congo. A garantia não representa um novo empréstimo de US$ 62,6 milhões para a ferrovia. Trata-se de uma cobertura de risco político sobre o investimento da Mota-Engil na LAR, protegendo a empresa contra riscos como expropriação, guerra e distúrbios civis e incumprimento de contrato. A Mota-Engil integra a estrutura accionista da Lobito Atlantic Railway, que opera a concessão por um período de 30 anos. A empresa indica que a concessão abrange cerca de 1.300 quilómetros de ferrovia e o terminal mineiro associado ao Porto do Lobito. A operação da MIGA acontece numa fase de aceleração financeira do Corredor do Lobito. Em Julho, a Development Bank of Southern Africa (DBSA) anunciou o fecho financeiro de US$ 786 milhões para o projecto ferroviário, com a participação da U.S. International Development Finance Corporation (DFC). O financiamento deverá apoiar a modernização da linha ferroviária e das infra-estruturas associadas, reforçando a capacidade do corredor para movimentar carga entre Angola e o interior da África Central. O Corredor do Lobito é uma das principais rotas de ligação entre as regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia e os mercados internacionais através do Atlântico. A sua relevância aumentou com o interesse internacional no transporte de cobre, cobalto e outros minerais estratégicos necessários às cadeias globais de energia e tecnologia. Para Angola, a modernização da ferrovia representa uma aposta na transformação do Lobito numa plataforma logística regional. Para os investidores, a participação de instituições multilaterais como a MIGA, a DBSA e a DFC reduz determinados riscos associados a um activo de infra-estrutura de longo prazo. A nova garantia surge, assim, como mais um sinal do esforço para consolidar o Corredor do Lobito como uma infra-estrutura ferroviária estratégica para Angola, para a África Central e para as cadeias internacionais de minerais críticos.