Angola disponibilizou ao Botswana a possibilidade de adquirir até 30% de participação na Refinaria do Lobito, abrindo um dos maiores projectos industriais do país à entrada de capital regional. Mas a participação ainda não está fechada. O Botswana continua a avaliar quanto pretende efectivamente subscrever e qual será o montante do investimento. As negociações estão agora a ser conduzidas pelas equipas técnicas dos dois países. A informação foi confirmada pelo Presidente da República, João Lourenço, e pelo seu homólogo do Botswana, Duma Boko, durante a visita de Estado do Presidente tswanês a Angola. “O Governo de Angola ofereceu 30%. Depende do Botswana agora decidir o quanto vai tomar”, afirmou Duma Boko. João Lourenço confirmou, por sua vez, que a entrada do Botswana no capital da Refinaria do Lobito permanece aberta e poderá concretizar-se assim que as negociações forem concluídas. O convite não foi feito apenas ao Botswana. Angola também convidou a Namíbia e a Zâmbia a participarem no capital do projecto, numa estratégia que poderá transformar a Refinaria do Lobito numa infra-estrutura energética de dimensão regional. A posição do Governo angolano é, no entanto, clara: o Estado continuará a ser accionista da refinaria. “Não queremos ficar com 100%, mas se tivermos outros accionistas, melhor”, afirmou João Lourenço, explicando que as equipas continuam a negociar a proporção das participações. A eventual entrada do Botswana ganha particular importância pela dimensão do projecto. A Refinaria do Lobito está prevista para entrar em funcionamento em 2029 e deverá processar cerca de 200 mil barris de petróleo por dia, tornando-se numa das maiores infra-estruturas industriais do sector energético angolano. Segundo informações divulgadas esta semana pelo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Martins, já foram investidos cerca de 1,6 mil milhões de dólares no projecto e a execução física das obras situa-se em aproximadamente 26%. A unidade deverá produzir gasolina, gasóleo, gás de petróleo liquefeito, Jet A-1 e betumes, além de enxofre que poderá servir como matéria-prima para outras actividades industriais. Mas a ambição para o Lobito vai além da refinação. A Sonangol estuda também a instalação de um complexo petroquímico associado à refinaria, com o objectivo de transformar a futura unidade num centro industrial capaz de produzir outros derivados do petróleo e ampliar a cadeia de valor no país. A visita de Duma Boko às instalações da Refinaria do Lobito surge, assim, num momento em que Angola procura atrair novos parceiros para o projecto. Segundo a Sonangol, existe interesse de potenciais parceiros nacionais e estrangeiros, incluindo o Fundo Soberano de Angola, empresas privadas, bancos chineses e outras instituições financeiras. Para o Botswana, uma eventual participação poderá representar acesso directo a uma futura infra-estrutura de produção de combustíveis na costa atlântica africana. Para Angola, a entrada de parceiros poderá ajudar a reforçar o financiamento do projecto e, ao mesmo tempo, criar uma base accionista regional para uma infra-estrutura que o Governo pretende posicionar além do mercado nacional. A estratégia está também alinhada com a crescente importância do Lobito como plataforma regional de infra-estruturas, através do Porto do Lobito, da refinaria e do Corredor do Lobito. Por enquanto, uma coisa está definida: Angola colocou até 30% da Refinaria do Lobito à disposição do Botswana. A outra continua em aberto: quanto dessa participação o Botswana estará disposto a adquirir. Fontes: Presidência da República de Angola, CIPRA e Sonangol



