A ENDIAMA Mining, Lda. tem um novo Director-Geral. Carlos Manuel Baptista assumiu formalmente a liderança da empresa após uma deliberação unânime por escrito da sociedade, realizada a 10 de Agosto de 2026, transitando da função de Director-Adjunto. Geofísico de formação, Carlos Manuel Baptista é formado pela Universidade de Trieste, em Itália, e pela Universidade Agostinho Neto. Com mais de quatro décadas de experiência no sector diamantífero angolano, chega à liderança da ENDIAMA Mining com um percurso construído sobretudo nas áreas técnica e operacional da indústria. Na ENDIAMA Mining, o novo Director-Geral esteve directamente envolvido na coordenação e desenvolvimento de projectos estratégicos, incluindo Luembe, Luachimba, Luminas, Luele e Calonda. A sua nomeação ocorre num momento em que o sector diamantífero continua a desempenhar um papel relevante na diversificação da economia angolana e em que o desenvolvimento de novos projectos mineiros exige maior capacidade técnica, eficiência operacional e aproveitamento sustentável dos recursos minerais. A experiência acumulada por Baptista nos principais projectos da ENDIAMA Mining poderá assumir particular importância na continuidade das operações e na execução dos projectos da empresa, agora sob uma nova liderança. A transição marca igualmente o encerramento do mandato de Pedro Inácio de Azevedo Velasco Galiano, a quem a ENDIAMA Mining reconheceu o empenho, dedicação e contributos prestados durante o período em que esteve à frente da empresa. Com a passagem de Carlos Manuel Baptista de Director-Adjunto para Director-Geral, a ENDIAMA Mining aposta numa liderança com conhecimento profundo da organização e experiência acumulada no sector diamantífero nacional.
TotalEnergies e Galp consolidam novo pólo petrolífero no Orange Basin enquanto Venus se aproxima da FID
A parceria entre a TotalEnergies e a Galp na Namíbia está a entrar numa fase decisiva. Sete meses depois de as duas empresas terem apresentado à Presidência namibiana a lógica de uma nova estrutura para os seus activos offshore, a TotalEnergies concluiu os principais trabalhos de engenharia e os concursos associados ao desenvolvimento de Venus, aproximando o projecto da decisão final de investimento (FID). A sequência ajuda a explicar o que está actualmente em jogo no Orange Basin: a reorganização dos interesses entre as duas empresas não foi apenas uma operação de portefólio, mas parte de uma estratégia para criar um novo pólo de desenvolvimento petrolífero em águas profundas da Namíbia. Em Janeiro, o presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, e a presidente da Galp, Paula Amorim, reuniram-se em Windhoek com a Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, para reafirmar o compromisso de longo prazo das duas companhias com o país. O encontro ocorreu depois de um acordo que redesenhou a posição das duas empresas nas principais licenças da Bacia do Orange. A TotalEnergies passou a assumir a operação da PEL83, onde se encontra a descoberta de Mopane, enquanto a Galp entrou nas PEL56 e PEL91, associadas ao complexo de Venus. A lógica apresentada pelas empresas foi a de concentrar competências e criar condições para desenvolver os recursos da região como um único pólo. Para Pouyanné, a combinação dos activos permitiria reunir excelência operacional, desenvolvimento local e criação de valor para a Namíbia. Paula Amorim classificou Mopane como uma oportunidade transformadora e apontou para o potencial de a região evoluir para um ecossistema energético de dimensão global. Na altura, Venus era o projecto mais próximo da fase de desenvolvimento. As empresas estabeleceram como objectivo criar as condições necessárias para uma eventual FID ainda em 2026, enquanto Mopane avançaria para uma campanha de exploração e avaliação de três poços destinada a definir melhor os recursos e preparar o projecto para uma futura decisão de desenvolvimento. De acordo accionista a projecto de desenvolvimento Oito meses depois do anúncio inicial, a diferença está no grau de maturidade técnica de Venus. A TotalEnergies confirmou no final de Agosto a conclusão dos principais trabalhos de engenharia preliminar e do plano de desenvolvimento do campo, bem como o encerramento dos principais processos de contratação associados ao projecto. Entre os pacotes abrangidos estão a unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO) e os trabalhos submarinos relacionados com perfuração e poços. A empresa já recebeu propostas dos potenciais contratantes e entrou numa fase de negociação que coloca o enquadramento económico e regulatório com o Governo da Namíbia no centro da próxima etapa. É neste ponto que a pressão para uma FID em 2026 ganha importância. Carlos Menezes, director de Joint Venture e Desenvolvimento da TotalEnergies Namíbia, afirmou que a empresa pretende concluir as negociações com as autoridades namibianas enquanto as propostas dos contratantes permanecem válidas. O responsável defendeu que uma decisão apenas em 2027 não seria aceitável, colocando 2026 como a janela crítica para o avanço do projecto. A pressão é particularmente relevante porque uma FID não representa apenas a aprovação interna de um investimento. No caso de Venus, significaria passar de uma descoberta tecnicamente amadurecida para a execução de um dos maiores projectos offshore actualmente em preparação na África Austral. Venus pode inaugurar uma nova era petrolífera A descoberta de Venus, localizada em águas ultraprofundas da Bacia do Orange, contém cerca de 750 milhões de barris de óleo equivalente de recursos recuperáveis estimados pela TotalEnergies. O conceito de desenvolvimento prevê uma FPSO com capacidade de produção de aproximadamente 150 mil barris por dia, ligada a um sistema submarino instalado em águas que podem atingir cerca de 3.000 metros de profundidade. A escala do projecto explica também a dimensão dos contratos que estão agora a ser negociados. O desenvolvimento exige uma combinação de engenharia offshore, construção e integração de uma FPSO, perfuração, sistemas submarinos e infra-estruturas associadas. Mais importante, Venus poderá funcionar como o primeiro grande projecto produtor de petróleo da Namíbia. O país ainda não possui produção comercial de petróleo, mas as sucessivas descobertas realizadas no Orange Basin colocaram-no entre as novas fronteiras de exploração mais observadas pela indústria internacional. Mopane é a segunda etapa A estratégia da TotalEnergies não termina em Venus. Com a operação da PEL83, a empresa passou a controlar directamente o desenvolvimento de Mopane, outra descoberta de grande escala no Orange Basin. A estimativa actual da TotalEnergies situa os recursos de Mopane entre 800 milhões e 1,1 mil milhões de barris de óleo equivalente. A empresa pretende utilizar uma campanha de três poços de exploração e avaliação para melhorar a definição do reservatório e estabelecer as bases para um futuro desenvolvimento. A lógica é, portanto, sequencial: Venus representa o projecto que pode inaugurar a produção, enquanto Mopane poderá constituir a segunda grande etapa de um mesmo sistema de desenvolvimento. A TotalEnergies também vê potencial para ampliar esse pipeline através de actividade exploratória noutras licenças, incluindo a PEL104, reforçando a ideia de que o objectivo não é desenvolver apenas um campo isolado, mas construir uma presença petrolífera de longo prazo na Namíbia. O Orange Basin entra numa fase diferente A importância da parceria TotalEnergies-Galp está precisamente nesta transição. Em Janeiro, as empresas apresentaram à liderança namibiana uma arquitectura de activos destinada a criar um pólo integrado de desenvolvimento. Em Agosto, Venus já aparece numa fase muito mais concreta, com engenharia avançada, plano de desenvolvimento definido e propostas de contratantes sobre a mesa. O próximo marco será a FID. Se a decisão for tomada em 2026, Venus poderá entrar definitivamente na fase de execução e colocar a Namíbia numa trajectória para se tornar um novo produtor de petróleo offshore no continente. Para a TotalEnergies, representará a transformação de uma das maiores descobertas recentes da sua carteira num projecto de produção. Para a Galp, a entrada nos activos da Namíbia permite manter exposição a uma das novas fronteiras petrolíferas mais promissoras do continente. Para a Namíbia, a dimensão é ainda maior. O país está a



