A TotalEnergies confirmou a aquisição da totalidade do negócio de energias renováveis onshore da Shell na Europa, um movimento que a petrolífera francesa anunciou em comunicado oficial no início desta semana, ao lado de uma segunda operação que envolve a venda de uma participação a um fundo gerido pela KKR. As duas transacções, distintas mas anunciadas em conjunto, deverão ficar concluídas até ao final de 2026, sujeitas a aprovação regulatória. O acordo com a Shell entrega à TotalEnergies um portefólio de quatro gigawatts, dos quais 500 megawatts já estão operacionais ou em construção, sobretudo em Itália e nos Países Baixos, e os restantes 3,5 gigawatts correspondem a um pipeline de projectos solares, eólicos e de armazenamento em bateria em desenvolvimento em Itália, no Reino Unido e em Espanha. Depois de fechado o negócio, a TotalEnergies passará a deter a totalidade destes activos, um detalhe que confirma e reforça o que já circulava nas redes profissionais sobre a operação. Em paralelo, e não como parte do mesmo negócio, a petrolífera francesa vendeu 50% de um portefólio distinto de 1,2 gigawatts de activos solares e eólicos onshore situados na Alemanha, em Espanha, em França e na Polónia a uma conta de seguros gerida pela KKR, operação avaliada em 1,8 mil milhões de euros. A TotalEnergies mantém os restantes 50% e continuará a operar estes activos depois de concluída a venda, seguindo o modelo de negócio que a empresa já vinha a aplicar noutras geografias, incluindo a recente transacção com a EPH. Segundo Stéphane Michel, presidente da divisão de Gás, Renováveis e Electricidade da TotalEnergies, a aquisição dos activos da Shell reforça a posição do grupo em mercados europeus desregulamentados seleccionados e complementa a capacidade de geração flexível das centrais a gás da TTEP, a joint venture com a EPH activa em Itália, nos Países Baixos e no Reino Unido. Michel sublinhou ainda que o acordo com a KKR demonstra a capacidade da empresa para executar, ano após ano, vendas parciais de activos renováveis já desenvolvidos, um mecanismo central para a TotalEnergies atingir um retorno sobre capital médio empregue de 12% até 2030 na sua divisão de Integrated Power. Com estas duas operações, o portefólio renovável europeu da TotalEnergies aproxima-se dos dez gigawatts de capacidade instalada bruta ou em construção, com mais 27 gigawatts em desenvolvimento. A nível global, a empresa detinha, no final de Junho de 2026, mais de 37 gigawatts de capacidade bruta de geração renovável instalada. Para a Shell, a venda confirma a trajectória que a petrolífera britânica vem seguindo sob a liderança do seu presidente executivo Wael Sawan, que tem priorizado o petróleo, o gás e o comércio de GNL em detrimento de investimentos de baixo carbono, uma estratégia já visível na venda do negócio de renováveis da Shell na Índia em Julho de 2026. O movimento confirma, no essencial, a leitura feita na publicação original, embora valha a pena precisar que se trata de dois negócios juridicamente distintos, e não de uma única operação dupla, ainda que anunciados na mesma data e enquadrados na mesma lógica estratégica. O contraste entre as duas petrolíferas europeias é, esse sim, o dado mais relevante para quem acompanha a consolidação do sector energético continental, com a TotalEnergies a apostar na expansão da sua carteira renovável e a Shell a concentrar-se cada vez mais no seu negócio tradicional de hidrocarbonetos.