A Raxio Group, operadora pan-africana de data centers, anunciou que ultrapassou os 380 milhões de dólares em capital comprometido, após um reforço de investimento dos seus principais accionistas, a Meridiam e a Roha Group. O anúncio surge num momento em que a empresa regista um crescimento acelerado da procura pelos seus serviços e prepara a entrada no mercado da Tanzânia. Segundo a empresa, a capacidade contratada nos seus data centers aumentou seis vezes durante o primeiro semestre de 2026, acompanhando a crescente adopção de serviços de computação em nuvem, inteligência artificial e processamento de dados em África. A Raxio refere igualmente um aumento da procura por instalações com necessidades energéticas superiores a 10 megawatts, um indicador da rápida evolução do mercado digital africano. O novo patamar de capital reforça uma base que anteriormente se situava nos 350 milhões de dólares e junta-se ao financiamento de 100 milhões de dólares assegurado pela International Finance Corporation (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial, bem como aos financiamentos da Proparco e do Emerging Africa & Asia Infrastructure Fund (EAAIF). A expansão ocorre num contexto em que a consultora McKinsey estima que a capacidade instalada de data centers no continente possa crescer dos actuais cerca de 0,4 gigawatts para um intervalo entre 1,5 e 2,2 gigawatts até 2030, mobilizando entre 10 e 20 mil milhões de dólares em novos investimentos. Angola integra a estratégia regional Angola faz parte da rede da Raxio desde a inauguração do Raxio Angola AG1, em Cacuaco, Luanda, em Outubro de 2025. Na abertura, a empresa apresentou a instalação como o maior data center comercial do país, com capacidade inicial para fornecer até 3 megawatts de potência de TI e alojar mais de 800 racks. A infraestrutura foi concebida para permitir futuras expansões, podendo atingir até 7 megawatts de potência de TI, de acordo com as especificações técnicas actualmente divulgadas pela empresa. Localizado junto das principais estações de aterragem de cabos submarinos que servem Angola, o AG1 foi igualmente concebido para acolher o Ponto de Troca de Tráfego da Internet (IXP) nacional, permitindo que uma parte significativa do tráfego de Internet permaneça dentro do país, com potenciais ganhos em velocidade, resiliência e eficiência. Durante a inauguração, o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, enquadrou o investimento na estratégia nacional de posicionar Angola como uma plataforma tecnológica regional. Segundo o Uptime Institute, entidade internacional de referência na certificação de data centers, Angola conta actualmente com várias infraestruturas certificadas, incluindo instalações da MSTelcom, EMIS, Millennium Atlântico e da própria Raxio Angola. Infraestrutura digital ganha dimensão estratégica O reforço financeiro anunciado pela Raxio reflecte a crescente aposta dos investidores internacionais na infraestrutura digital africana, impulsionada pelo aumento da procura por serviços de computação em nuvem, inteligência artificial e armazenamento de dados. Neste contexto, a presença da Raxio em Angola reforça o papel do país no desenvolvimento da infraestrutura digital regional. A localização estratégica na costa atlântica, aliada à ligação a múltiplos cabos submarinos internacionais e ao crescimento do ecossistema tecnológico nacional, coloca Angola numa posição favorável para captar novos investimentos e acompanhar a expansão do mercado africano de data centers. Nota metodológica Levantamentos de mercado, incluindo bases de dados especializadas do sector, colocavam Angola entre os dez países africanos com maior número de data centers operacionais no final de 2025. Trata-se, contudo, de estimativas de mercado e não de estatísticas oficiais, devendo ser interpretadas como indicativas.
GALP LEVA MOÇAMBIQUE AO ICSID POR DISPUTA FISCAL NA ÁREA 4 DA BACIA DO ROVUMA
A petrolífera portuguesa Galp avançou formalmente para arbitragem internacional contra a República de Moçambique junto do Centro Internacional para a Resolução de Diferendos relativos a Investimentos (ICSID), instituição do Grupo Banco Mundial. O pedido, apresentado pela Galp Energia SGPS, Galp Energia Portugal Holdings B.V. e Galp East Africa B.V., foi registado a 26 de Junho de 2026 sob o processo ARB/26/31. O litígio está relacionado com a tributação da venda, concluída em Março de 2025, da participação de 10% da Galp na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, à ADNOC, através da sua subsidiária XRG. A Autoridade Tributária moçambicana entende que a operação está sujeita ao pagamento de imposto sobre mais-valias, posição contestada pela Galp, que considera não existir fundamento legal para essa tributação. A petrolífera portuguesa decidiu recorrer à arbitragem internacional ao abrigo dos acordos bilaterais de promoção e protecção de investimentos celebrados entre Moçambique e os Países Baixos (2001) e entre Moçambique e Portugal (1995). A Área 4 da Bacia do Rovuma integra alguns dos mais importantes projectos de gás natural liquefeito (GNL) em África, incluindo a plataforma Coral South FLNG, já em operação, o projecto Coral North FLNG, actualmente em desenvolvimento, e o projecto Rovuma LNG, operado pela ExxonMobil. O caso encontra-se pendente no ICSID, que confirmou apenas o registo do pedido de arbitragem. A instituição ainda não divulgou informações sobre as próximas fases do processo. Segundo informações divulgadas anteriormente por fontes locais, a Autoridade Tributária de Moçambique reclama um imposto sobre mais-valias associado à operação, com valores reportados na ordem dos 162 milhões de euros. Contudo, esse montante não consta do registo público do ICSID nem da informação inicial divulgada sobre o processo de arbitragem. A disputa coloca novamente em evidência os desafios associados à tributação de grandes operações no sector dos recursos naturais africanos, num momento em que os países procuram aumentar a captura de valor económico dos seus activos energéticos, mantendo simultaneamente condições competitivas para atrair investimento estrangeiro.



