Os sectores petrolífero e mineiro continuam a reforçar o seu peso na criação de emprego em Angola. Segundo o Relatório de Formação do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), as duas indústrias somavam, em 2025, mais de 87 mil postos de trabalho, reflectindo a expansão da actividade extractiva e o reforço das políticas de valorização da mão-de-obra nacional. No sector petrolífero, o número de trabalhadores passou de 23.546, em 2020, para 42.568, em 2025, representando um crescimento superior a 80% em cinco anos. Deste total, 37.877 são cidadãos angolanos, o equivalente a uma taxa de angolanização de 88,98%, um dos indicadores mais elevados registados nos últimos anos e que evidencia o reforço da participação de quadros nacionais na indústria dos hidrocarbonetos. Já o sector mineiro registou um crescimento da força de trabalho de 28.135 trabalhadores, em 2021, para 45.317, em 2025. De acordo com o MIREMPET, esta evolução resulta do aumento da actividade mineira, da entrada em operação de novos projectos e da contribuição de empresas mineiras, cooperativas, fábricas de lapidação e instituições públicas ligadas ao sector. O investimento na qualificação dos recursos humanos acompanhou esta evolução. O relatório indica que foram realizadas 130.532 acções de formação, abrangendo 87.886 trabalhadores e atingindo uma taxa de execução de 95,67%. No âmbito dos Planos de Desenvolvimento de Recursos Humanos (PDRH), mecanismo que obriga as operadoras a promoverem a formação de profissionais angolanos, foram executadas 7.761 acções de formação, correspondentes a 87,45% do programado. Os dados divulgados pelo MIREMPET evidenciam uma evolução consistente dos indicadores de emprego, formação profissional e angolanização nos sectores petrolífero e mineiro, acompanhando a expansão da actividade e a implementação das políticas de conteúdo local.
Angola lança consulta pública para redefinir estratégia do Upstream até 2050
A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) realizou, a 1 de julho, em Luanda, a sessão de arranque da consulta pública da Estratégia de Hidrocarbonetos de Angola (EHA), no segmento Upstream, um documento que irá orientar o posicionamento do país no mercado global de petróleo e gás até 2050. A sessão, presidida pelo secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, marcou o início de um processo de auscultação pública que decorre até 31 de julho, com submissão de contributos através do endereço [email protected]. Segundo a ANPG, a estratégia assenta em seis pilares, ainda não divulgados publicamente, e tem como objetivo reforçar a competitividade do sector Upstream angolano, aumentar a atratividade para investimento e adaptar o posicionamento do país às dinâmicas da transição energética global. Durante a abertura, José Barroso afirmou que o processo visa definir o posicionamento estratégico de Angola no contexto energético internacional, criando condições para atrair investimento e promover inovação tecnológica e valorização dos recursos nacionais. O presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, sublinhou que a construção da estratégia depende da auscultação de diferentes sensibilidades nacionais e internacionais, de forma a produzir um documento final mais robusto e alinhado com os desafios do sector. A sessão contou com representantes dos ministérios do Ambiente, Administração do Território, Planeamento, Agricultura, Finanças, Indústria e Comércio e Administração Geral Tributária, bem como de entidades como a Sonangol, Angola LNG, MIREMPET, ACREP e Alfort Petroleum. Os dados mais recentes da ANPG, relativos a maio de 2026, indicam uma produção média de 1.055.056 barris de petróleo por dia, face a uma previsão de 1.061.017 BOPD, com uma taxa de eficiência operacional das instalações de 80%, abaixo dos 93% projectados. O processo de consulta pública permanece aberto até 31 de julho, após o qual seguirá para fases de sistematização e consolidação dos contributos recolhidos.



