O Brasil disse sim. E, com isso, o maior negócio da história dos serviços offshore deu um passo decisivo para se tornar realidade. A 23 de Junho de 2026, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Económica), autoridade brasileira da concorrência, aprovou sem condições e sem imposição de remédios a fusão entre a Saipem e a Subsea7. A decisão aproxima a criação de um dos maiores grupos mundiais de serviços subsea e infraestruturas energéticas, que passará a operar sob a designação Saipem7. A aprovação não foi pacífica. A decisão representou um revés para os argumentos apresentados pela Petrobras, ExxonMobil e TotalEnergies junto do regulador brasileiro. As três petrolíferas defenderam que a nova empresa poderia alcançar uma posição dominante capaz de aumentar custos, atrasar projectos e pressionar clientes para contratos exclusivos de longo prazo. O CADE analisou essas preocupações e concluiu que a operação não levanta riscos concorrenciais que justifiquem restrições. Embora terceiros, incluindo a Petrobras, a ExxonMobil e a Technip, ainda possam apresentar recurso, a decisão representa o mais importante avanço regulatório desde que a operação foi anunciada. A escolha do Brasil como principal campo de análise não foi por acaso. O país era considerado o mercado mais sensível para a aprovação da fusão, por ser a geografia onde as actividades da Saipem e da Subsea7 apresentam maior sobreposição. Era o teste mais difícil. E a Saipem7 passou-o. Os mercados reagiram imediatamente. As acções das duas empresas chegaram a valorizar cerca de 4% após o anúncio. O Morgan Stanley classificou a decisão do CADE como o maior obstáculo individual à concretização da operação e passou a identificar a Subsea7 como a sua principal recomendação no sector europeu dos serviços de energia. Se a fusão for concluída, a Saipem7 nascerá com uma dimensão sem precedentes no sector. A nova empresa deverá reunir cerca de 21 mil milhões de euros em receitas anuais, mais de 2 mil milhões de euros em EBITDA e uma carteira de encomendas avaliada em aproximadamente 43 mil milhões de euros, consolidando-se como um dos maiores prestadores mundiais de serviços offshore. A operação foi anunciada em Fevereiro de 2025 e o acordo de fusão vinculativo foi assinado em Julho do mesmo ano. Os accionistas da Subsea7 receberão 6,688 novas acções da Saipem por cada acção detida e beneficiarão de um dividendo extraordinário de 450 milhões de euros antes da conclusão da transacção. Após o fecho, os accionistas das duas empresas deterão aproximadamente 50% cada da nova sociedade. Em paralelo, a Saipem continua a reorganizar o seu portefólio para alinhar a futura empresa com os segmentos de maior rentabilidade. Nesse contexto, assinou um acordo para vender a totalidade da sua subsidiária Saudi Arabian Saipem ao grupo saudita ADES Holding, reforçando a estratégia de concentração nas operações de águas profundas e ambientes offshore mais complexos. O próximo passo será dado na Europa. A 16 de Junho de 2026, a Saipem e a Subsea7 notificaram formalmente a Comissão Europeia da intenção de fusão, estando prevista uma decisão preliminar até 22 de Julho. As empresas solicitaram igualmente aprovação ao abrigo do Regulamento Europeu sobre Subsídios Estrangeiros, mecanismo que permite avaliar o impacto de apoios estatais concedidos por países terceiros em operações de concentração. A conclusão da fusão continua prevista para Novembro de 2026. Se Bruxelas seguir o mesmo caminho do Brasil, o sector global dos serviços offshore iniciará o próximo ano com um novo gigante e um mapa concorrencial profundamente transformado.



