A Eni e a PETRONAS anunciaram oficialmente a criação da Searah, uma nova joint venture independente e integrada, detida em partes iguais (50/50), que combina activos estratégicos na Indonésia e na Malásia. O novo grupo surge como uma das maiores plataformas energéticas independentes do Sudeste Asiático, reunindo 19 activos de produção e desenvolvimento de gás, sendo 14 na Indonésia e 5 na Malásia. A Searah inicia operações com uma produção superior a 300 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), com a ambição de ultrapassar 500 mil boe/d nos próximos três anos. Segundo o comunicado oficial, todas as aprovações regulatórias e governamentais já foram concluídas, permitindo a entrada formal em operação da nova empresa apenas sete meses após a assinatura do Investment Agreement e cerca de 16 meses após o Memorando de Entendimento inicial. A estrutura financeira também foi reforçada com a obtenção de uma linha de crédito rotativo de 6 mil milhões de dólares, enquanto o plano de investimentos poderá ultrapassar 20 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. Estes investimentos visam desenvolver mais de 3 mil milhões de barris de recursos já descobertos, além de potencial exploratório adicional estimado em milhares de milhões de barris equivalentes. A Searah incorpora também activos estratégicos recentes da Eni na região, incluindo os projectos Gendalo e Gandang (South Hub), e Geng North e Gehem (North Hub), bem como a descoberta de gás Geliga-1, no bloco Ganal, considerada uma das maiores da bacia de Kutei. Claudio Descalzi, CEO da Eni, destacou que a Searah representa a consolidação da estratégia de “satélites” da empresa, focada em activos de alta qualidade, eficiência operacional e crescimento sustentado. Já o CEO da PETRONAS, Tengku Muhammad Taufik, sublinhou o reforço da disciplina de capital e da criação de valor ao longo da cadeia do gás. A criação da Searah reforça a tendência global de consolidação de activos de gás natural e surge num momento em que o gás é cada vez mais visto como combustível de transição. Para mercados emergentes e exportadores, como Angola, movimentos deste tipo no Sudeste Asiático podem influenciar dinâmicas de investimento, competitividade e fluxos globais de GNL.