As relações entre a TotalEnergies e o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, estarão a atravessar um período de maior tensão, numa altura em que decorrem negociações ligadas ao projecto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares. Segundo o Africa Intelligence, o clima de confiança entre o presidente moçambicano e o director-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, deteriorou-se nos últimos meses, numa fase considerada decisiva para questões financeiras e operacionais relacionadas com o megaprojecto de gás natural. O mesmo órgão avançou posteriormente que a multinacional francesa está a tentar restabelecer o diálogo através de membros próximos da presidência moçambicana. O projecto Mozambique LNG, localizado na província de Cabo Delgado, é um dos maiores investimentos energéticos em África. Liderado pela TotalEnergies, o empreendimento esteve suspenso desde 2021 devido aos ataques insurgentes na região, tendo sido retomado este ano. A iniciativa deverá produzir cerca de 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano e transformar Moçambique num importante exportador mundial de LNG. O projecto conta ainda com a participação da japonesa Mitsui, da estatal moçambicana ENH, da indiana ONGC Videsh, da Oil India, da Bharat Petroleum e da tailandesa PTTEP. Apesar do reinício das actividades, persistem negociações entre a empresa e o Governo moçambicano relativamente aos custos adicionais provocados pelos anos de interrupção, estimados em cerca de 4,5 mil milhões de dólares. A importância estratégica do projecto para a economia moçambicana e para o mercado global de gás natural faz com que qualquer divergência entre as partes seja acompanhada com atenção pelos investidores internacionais.