A Anda está a emergir como uma das startups mais ambiciosas do ecossistema tecnológico angolano, posicionando-se não apenas como uma plataforma de mobilidade urbana, mas como uma infraestrutura financeira e tecnológica para inclusão económica em África. Fundada em Angola, a empresa tem vindo a atrair atenção internacional ao combinar mobilidade, fintech, inteligência artificial e financiamento de activos num modelo que procura transformar motoristas em empreendedores. A startup opera actualmente com soluções de ride-hailing, entrega e financiamento de veículos, incluindo motorizadas, tuk-tuks e automóveis. O momento mais marcante da trajectória da Anda aconteceu após a startup garantir uma ronda Seed de 3 milhões de euros, tornando-se uma das primeiras startups operacionais angolanas com capital de risco internacional. A ronda foi co-liderada pelas firmas internacionais BREEGA e Speedinvest, com participação da Double Feather Partners (Japão) e da 4DX Ventures (Estados Unidos). Mais do que uma aplicação de transporte, a Anda aposta num modelo “Drive-to-Own”, permitindo que motoristas tenham acesso gradual à posse dos veículos que utilizam para trabalhar. Na prática, a empresa tenta resolver simultaneamente três problemas estruturais do mercado angolano: mobilidade urbana, desemprego jovem e exclusão financeira. Nos últimos meses, a startup acelerou fortemente a sua expansão. A empresa anunciou uma parceria estratégica com a BFA Asset Management através do Fundo Kimbo, que disponibilizou um investimento adicional de 1,2 milhões de dólares para apoiar a expansão do modelo multi-activos da plataforma. Ao mesmo tempo, a Anda começou também a posicionar-se como player relevante no futuro da mobilidade eléctrica em Angola, através de uma parceria com a TankVolt Electric, num sinal claro de que pretende alinhar-se às tendências globais de transporte sustentável. A aposta tecnológica da empresa também ganhou nova dimensão com a entrada de Sara N. como CTO. A executiva passou anteriormente pela Microsoft e pela Boston Consulting Group, trazendo experiência em inteligência artificial, analytics e plataformas digitais escaláveis. Outro indicador da crescente relevância continental da Anda foi a sua selecção entre as 30 finalistas do AfricaTech Awards 2026, iniciativa promovida pela Deloitte em parceria com o VivaTech. A distinção reconhece startups africanas com potencial de impacto em sectores estratégicos como finanças, mobilidade, educação e clima. A projecção internacional da startup ganhou ainda mais força após a Anda ser seleccionada para a 10.ª turma do Google for Startups Accelerator Africa, programa da Google for Startups dedicado ao crescimento de startups africanas com elevado potencial tecnológico e escalável. A selecção coloca a startup angolana entre algumas das empresas emergentes mais promissoras do continente no sector da inovação digital. Além do crescimento institucional, a startup começa também a ganhar visibilidade dentro das discussões sobre inovação e investimento em Angola. Em fóruns online e comunidades africanas, utilizadores já apontam a Anda como uma das poucas startups angolanas a construir um modelo tecnológico escalável com potencial regional. O caso da Anda surge num momento particularmente importante para o ecossistema angolano, numa fase em que o país tenta consolidar uma nova geração de startups tecnológicas capazes de atrair capital internacional, gerar empregos qualificados e criar soluções locais para problemas estruturais africanos. Se conseguir escalar o seu modelo para além de Angola, a Anda poderá transformar-se num dos exemplos mais relevantes de “technology made in Angola” com ambição continental.