O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Banco Millennium Atlântico assinaram, em Luanda, um Memorando de Entendimento que marca o início de uma cooperação focada na expansão da inclusão financeira digital e no estímulo à inovação tecnológica para comunidades e empreendedores angolanos. O acordo, válido para os próximos dois anos, prevê iniciativas conjuntas que abrangem literacia financeira, inovação social, aceleração de projectos com impacto comunitário e promoção de soluções financeiras digitais acessíveis. O objetivo central é reduzir barreiras de acesso aos serviços financeiros formais, sobretudo entre mulheres, jovens e comunidades com menor bancarização. Segundo o comunicado oficial do Banco Millennium Atlântico, a parceria irá reforçar programas destinados a “impulsionar o desenvolvimento sustentável, melhorar o acesso a serviços financeiros e criar oportunidades para segmentos vulneráveis da população”. O PNUD, por sua vez, destaca que a colaboração permitirá escalar projectos de inclusão digital e financeira que já estão em implementação no país, fortalecendo o ecossistema de inovação local e ampliando competências digitais essenciais para o futuro do trabalho. O memorando inclui ainda o compromisso de apoiar iniciativas de empreendedorismo digital, uso de tecnologias para impacto social, promoção de produtos financeiros inclusivos e acções de formação voltadas a literacia financeira e transformação digital. A parceria surge num momento em que Angola avança com políticas de digitalização dos serviços públicos e privados, com foco particular no acesso simplificado a meios de pagamento, soluções fintech e serviços financeiros digitais.
Angola apontada como motor da energia limpa em África
Relatórios recentes e anúncios oficiais apontam Angola como um dos protagonistas da transição energética no continente africano, combinando metas de energias renováveis com iniciativas para valorizar o gás natural doméstico. Um estudo apresentado pelo Forvis Mazars Group, intitulado Powering Africa’s Future, e reproduzido pela imprensa angolana, destaca o papel crescente de Angola na produção de energia limpa e na atração de investimentos para projetos renováveis. ([Jornal OPaís / Forvis Mazars Group].) O Governo angolano já incluiu metas claras no seu plano energético: a estratégia Angola Energia 2025 prevê uma expansão significativa de capacidade renovável — com projetos solares que, em conjunto com hidrelétricas e gás, devem elevar a capacidade instalada do país nos próximos anos. Em 2025, a projeção aponta para cerca de 800 MW provenientes de energias renováveis como parte dessa meta de ampliação. Paralelamente, o país acelera o aproveitamento do seu potencial gasífero. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) tem promovido rodadas de licenciamento e planos para licenciar até 60 blocos de petróleo e gás até o final de 2025, parte da estratégia para atrair investimentos upstream e desenvolver projetos de gás não associado — nomeadamente os campos Quiluma e Maboqueiro, cuja produção está prevista para a janela 2025–2026. Analistas e comunicados oficiais destacam que a combinação entre expansão renovável (solar) e a monetização do gás natural pode permitir a Angola ampliar a oferta de eletricidade interna, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados para geração térmica em alguns segmentos e gerar excedentes para industrialização e exportação. A ANPG já divulgou estimativas de investimento de cerca de US$ 60–70 bilhões no setor petróleo e gás nos próximos anos, o que reforça a ambição de desenvolvimento energético integrado. O ministério com competência sobre a área também tem reforçado o discurso público sobre o potencial de energia limpa em Angola. Em declarações a eventos setoriais e conferências internacionais, representantes do Governo sublinharam que o país dispõe de condições favoráveis para projetos solares em larga escala e para aproveitar o gás como combustível de transição e insumo industrial. O que muda na prática



